// IBGE • LEVANTAMENTOS GPS • 2008

GUIA GPS
EM CAMPO

Material interativo baseado nas Recomendações para Levantamentos Relativo Estáticos do IBGE. Teoria, técnicas, erros e checklist para coletas precisas.


Como o GPS funciona

O NAVSTAR-GPS (NAVigation System with Timing And Ranging) é mantido pelo Departamento de Defesa dos EUA e proporciona posicionamento tridimensional em qualquer ponto do planeta. Os satélites transmitem sinais em duas frequências da banda L.

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Frequências L1 e L2

L1 = 1575,42 MHz / L2 = 1227,60 MHz. Os códigos PRN (Pseudo Random Noise) são modulados sobre essas portadoras: código P nas duas e código C/A apenas na L1.

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Desativação da SA

Até maio/2000 a Selective Availability degradava intencionalmente a precisão civil. Sem a SA, a precisão horizontal passou de ±100 m para ±20 m (nível 95%).

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WGS 84 e ITRF

O sistema de referência do GPS é o WGS 84, compatível com o ITRF2000 ao nível centimétrico após três refinamentos. A última realização é WGS 84 (G1150).

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SIRGAS 2000

Referencial geodésico oficial do Brasil desde 25/02/2005. De caráter global e origem geocêntrica, é consistente com as novas tecnologias de posicionamento.

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GNSS — Constelações

GLONASS (Rússia), Galileo (ESA/Europa) e Compass/Beidou (China) ampliam o conceito de GNSS. Integração aumenta a disponibilidade e robustez do posicionamento.

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PDOP — Geometria

O PDOP (Positioning Dilution of Precision) indica a qualidade geométrica dos satélites. Quanto MENOR o PDOP, MELHOR a precisão. Relacionado ao inverso do volume do sólido formado pelas antenas.


Qual técnica usar?

As técnicas variam de dezenas de metros a poucos milímetros de precisão. A escolha depende da aplicação, comprimento da linha de base e tipo de receptor disponível.

TÉCNICA OBSERVAÇÃO PRECISÃO RECEPTOR APLICAÇÃO
Por Ponto (C/A) Pseudodistância ~15 m Navegação Navegação geral
Por Ponto Preciso (PPP) Pseudodist. + Fase L1/L2 < 2 cm Geodésico Geodinâmica, referência
Relativo Estático DD Pseudodist. + Fase 0,1–1 ppm L1 ou L1/L2 Geodésia, georreferenciamento
Estático-Rápido DD Pseudodist. + Fase 1–10 ppm L1 ou L1/L2 Alta produtividade, até ~10 km
Semicinemático (Stop&Go) DD Pseudodist. + Fase 1–10 ppm L1 ou L1/L2 Topografia, linhas
Relativo Cinemático DD Pseudodist. + Fase 1–10 ppm L1/L2 (min. 5 sats) Mapeamento, cadastro

ℹ DICA IBGE
Para aplicações geodésicas no Brasil, recomenda-se o uso de estações da RBMC (Rede Brasileira de Monitoramento Contínuo), operada pelo IBGE, como estação de referência. Na impossibilidade, utilizar estações passivas do SGB.


Quanto tempo ocupar?

A duração mínima de rastreio varia com o comprimento da linha de base e o tipo de receptor. Os valores abaixo (Fonte: IGN España / IBGE) assumem condições favoráveis de campo.

0 – 5 km
TEMPO MÍN. DE RASTREIO
5–10 min
Receptor L1 ou L1/L2. Precisão esperada de 5–10 mm + 1 ppm. Condições ionosféricas favoráveis.
5 – 10 km
TEMPO MÍN. DE RASTREIO
10–15 min
Receptor L1 ou L1/L2. Mesma precisão de 5–10 mm + 1 ppm. Atenção ao multicaminho.
10 – 20 km
TEMPO MÍN. DE RASTREIO
10–30 min
Recomenda-se L1/L2. Ionosfera começa a ser fator relevante. Efemérides IGS aumentam qualidade.
20 – 50 km
TEMPO MÍN. DE RASTREIO
2–3 horas
Obrigatório L1/L2. Precisão de 5 mm + 1 ppm. Usar efemérides e relógio IGS.
50 – 100 km
TEMPO MÍN. DE RASTREIO
≥ 3 horas
L1/L2 obrigatório. Modelagem troposférica e ionosférica essenciais. Pós-processamento com IGS.
> 100 km
TEMPO MÍN. DE RASTREIO
≥ 4 horas
Linhas longas. Efemérides e relógio IGS obrigatórios. Antenas geodésicas com correção de fase.

O que degrada o posicionamento?

Clique em cada erro para ver detalhes, magnitude e forma de correção ou atenuação.

🛰️ Erro de Órbita 0–20 m

As coordenadas determinadas estão relacionadas com as dos satélites. Erros nas efemérides propagam-se para as coordenadas estimadas.

✓ Usar efemérides precisas do IGS  |  ✓ Posicionamento relativo
🔁 Multicaminho 10–20 m

O sinal do satélite reflete em superfícies (prédios, corpos d'água, veículos) chegando ao receptor por múltiplos caminhos, contaminando as observáveis.

✓ Antenas especiais (choke ring)  |  ✓ Máscara de elevação  |  ✓ Locais sem obstáculos refletores
🌩️ Refração Ionosférica ~ 18 m

A camada ionizada entre 50–1000 km atrasa a propagação do sinal. Depende da frequência, localização geográfica e horário. Máxima atividade ao meio-dia e em anos de alta atividade solar.

✓ Receptor dupla frequência (L1/L2)  |  ✓ Modelos ionosféricos regionais  |  ✓ Linhas de base curtas  |  ✓ Posic. relativo
🌫️ Refração Troposférica ~ 2–2,5 m

Atraso na atmosfera neutra (~50 km) independente da frequência (abaixo de 30 GHz). Depende de temperatura, umidade e pressão atmosférica.

✓ Modelos troposféricos (ZTD)  |  ✓ Posicionamento relativo  |  ✓ Linhas de base curtas
📶 Perda de Ciclo Qualitativo

Descontinuidade no rastreio da fase da portadora. Pode durar frações de segundo a horas. Quanto maior o intervalo perdido, mais difícil a correção.

✓ Visadas livres de obstrução  |  ✓ Tripla diferença de fase  |  ✓ Receptores com boa sensibilidade
📍 Centro de Fase da Antena 10–15 cm

As observações GPS são referenciadas ao centro de fase, não ao centro geométrico da antena. A diferença varia com elevação e azimute dos satélites, e é distinta para L1 e L2.

✓ Usar mesmo modelo de antena orientado para o Norte  |  ✓ Arquivos de correção do IGS ou NGS
📏 Erro na Altura da Antena Crítico

O estacionamento da antena (centragem + medição de altura) é apontado pelo IBGE como a maior fonte de erro nas operações de campo em levantamentos GPS.

✓ Medir altura antes e depois da sessão  |  ✓ Marcos com centragem forçada  |  ✓ Reocupação por operadores diferentes
⏱️ Erro do Relógio Modelado

Erros nos relógios dos satélites e do receptor afetam as pseudodistâncias. No posicionamento por ponto com C/A, apenas esses erros são modelados na solução.

✓ Efemérides precisas do IGS  |  ✓ Posicionamento relativo cancela erros comuns

Checklist de campo

Marque cada item conforme completa. O progresso é salvo na sessão. Baseado nas recomendações do IBGE para levantamentos relativos estáticos.

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Planejamento de Escritório

Definir precisão posicional requerida (PEC e aplicação)
Verificar disponibilidade de satélites e PDOP para a janela de trabalho
Consultar o BDG (IBGE) para estações do SGB próximas à área
Escolher estação de referência da RBMC em SIRGAS2000 (nunca em SAD 69)
Calcular comprimento das linhas de base e definir tempo de rastreio (Tabela 3.2)
Planejar reocupações para verificação e controle de qualidade
Verificar tipo de efemérides necessárias (transmitida, rápida IGS, final IGS)
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Seleção e Preparação dos Equipamentos

Selecionar receptor adequado (L1 para linhas <10 km; L1/L2 para >10 km)
Pré-configurar receptor: máscara de elevação, DOP máximo, intervalo de coleta
Verificar memória disponível no receptor para toda a sessão
Carregar baterias e levar reservas suficientes
Verificar integridade física da antena e do cabo
Conferir modelo de antena e arquivo de correção de centro de fase
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Seleção do Local (Marcos)

Área livre de obstruções ao redor da estação (céu aberto)
Evitar proximidade com antenas de micro-ondas, radares e linhas de alta tensão
Solo firme e estável para implantação e centragem do marco
Fácil acesso (logística de campo viável)
Segurança e preservação do marco garantidas a longo prazo
Evitar superfícies refletoras próximas (água, paredes metálicas, telhados)
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Estacionamento da Antena em Campo

Identificar e confirmar o código do marco antes de estacionar
Realizar centragem forçada (quando disponível no marco)
Nivelar a antena antes do início da sessão
Medir altura da antena (3 vezes) e registrar no formulário — ANTES da sessão
Orientar antena para o Norte (conforme manual do fabricante)
Verificar nivelamento e centragem — APÓS a sessão
Medir altura da antena novamente — APÓS a sessão
Não movimentar a estrutura de suporte durante o rastreio
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Anotações de Campo

Preencher código e inscrição na chapa do marco
Registrar data, hora de início e fim em UTC e hora local
Anotar marca, modelo e número de série do receptor e antena
Registrar nome do arquivo de dados coletado
Fazer croqui de localização e visibilidade do horizonte
Descrever itinerário de acesso ao marco
Registrar qualquer ocorrência (chuva, interferência, perda de sinal, etc.)
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Processamento Pós-Campo

Converter dados para formato RINEX (independente de fabricante)
Baixar efemérides precisas do IGS para a data do levantamento
Usar coordenadas da estação de referência em SIRGAS2000 (nunca SAD 69)
Processar com software adequado e analisar resíduos das ambigüidades
Comparar resultados das reocupações para verificar consistência
Converter altitude geométrica (h) para ortométrica (H) via MAPGEO2004

Calculadora de rastreio

Informe o comprimento da linha de base e o tipo de receptor para obter as recomendações mínimas de tempo de rastreio, precisão esperada e equipamentos necessários.

Tempo mínimo de rastreio
Precisão esperada
Receptor recomendado
Efemérides
Observação

Altitude geométrica vs ortométrica

O GPS determina altitude elipsoidal (h). Para aplicações práticas no Brasil, é necessário converter para altitude ortométrica (H), referida ao geóide.

H ≅ h − N

H = altitude ortométrica  |  h = altitude geométrica (GPS)  |  N = ondulação geoidal (MAPGEO2004)

Altitude Geométrica (h)

Altitude em relação ao elipsóide de revolução WGS 84. É o valor diretamente fornecido pelo GPS. Não tem significado físico direto relacionado à gravidade ou escoamento d'água.

Altitude Ortométrica (H)

Altitude em relação ao geóide, que coincide (em primeira aproximação) com o nível médio do mar. É a altitude com significado físico usada em engenharia, topografia e cartografia no Brasil.

Ondulação Geoidal (N)

Distância entre o geóide e o elipsóide. No Brasil varia de aproximadamente −25 m a +5 m. Obtida pelo modelo MAPGEO2004 disponível no portal do IBGE (Geociências → Geodésia).

SIRGAS2000 × SAD 69

As coordenadas de referência devem estar em SIRGAS2000. NUNCA usar SAD 69 no processamento relativo — isso leva a resultados incorretos para as estações determinadas.

⚠ Atenção: As coordenadas dos satélites GPS são fornecidas em sistemas globais geocêntricos (WGS 84 / ITRF). Um erro muito comum é usar coordenadas da estação de referência em SAD 69, que é um sistema regional topocêntrico — isso introduz erros sistemáticos nas linhas de base calculadas.